sábado, 3 de dezembro de 2011

crise financeira

Em 2008, a crise financeira internacional reabriu a discussão sobre o atual modelo de política econômica internacional, e os questionamentos sobre sua regulamentação e a maior intervenção dos países. Passados mais de três anos, e havendo risco de novos problemas nos EUA (ainda derivados daqueles) e na União Europeia (especialmente a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha), com reflexos sobre o mundo todo, pouco se avançou nas discussões que deveriam ter sido desenvolvidas naquela ocasião (ou, ainda, após as crises ocorridas, ainda durante os anos 1990, no México, na Rússia e nos "Tigres Asiáticos"). Em todas essas crises, foi similar o "efeito dominó" da rápida retirada do capital estrangeiro investido no país, o que constitui um dos principais argumentos para a maior regulamentação do tema, impedindo essa saída repentina do investimento externo em qualquer sinal de anormalidade. Consequentemente, a crise financeira gera uma crise de crédito, que produz uma crise econômica, afetando produção, comércio e consumo. O fenômeno de encurtamento das distâncias e de aproximação entre povos e países é assim ilustrado Edgar Morin: de um lado, o europeu, representando os países desenvolvidos, usufrui os benefícios, recebendo notícias de todo o planeta por meio de uma emissora de rádio japonesa, vestindo-se com roupas fabricadas no Egito, na Austrália e na Inglaterra, usando um relógio suíço e dispondo em sua mesa de frutas da Argentina e do Chile. Por outro lado, afirma Morin que a maior parte dos africanos, representando os países subdesenvolvidos, vive em estado de miséria, sob a ingerência da especulação e das variações do mercado mundial, além de sofrer a influência de culturas estrangeiras que lhes retira a própria identidade [01].
Indo além, podem ser lembradas situações atuais, como os reflexos causados pelo derramamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, no golfo do México em abril de 2010 sobre as aposentadorias dos ingleses: os fundos de pensão da Inglaterra tinham investido 1/6 de suas reservas na British Petroleum, a maior empresa do país, que sofreu uma desvalorização de aproximadamente 48% em suas ações na época do acidente na plataforma por ela operada; em consequência, aproximadamente 18 milhões de acionistas/participantes dos planos de previdência britânicos sofreram prejuízos em suas contas individuais [02]. Mais recentemente, enchentes na Austrália fizeram com que um filhote de ornitorrinco fosse levado de seu habitat natural, em água doce (rios e lagos), para o alto-mar [03]. Defende-se que um dos valores comuns que deva ser objeto de atenção pelos países é o uso racional dos recursos ambientais, cujos problemas ultrapassam os limites territoriais entre os Estados, abrangendo as alterações climáticas, a poluição de recursos hídricos, a deterioração da camada de ozônio, a extinção de espécies da fauna e da flora, a devastação de florestas, etc. Em decorrência disso, fábricas de celulose finlandesas e espanholas instaladas no Uruguai podem causar danos ambientais em rios argentinos, e a poluição gerada pelo complexo industrial de fundição de metais na cidade russa de Norilsk pode afetar a qualidade do ar no Canadá.
A globalização constitui o ápice do processo de internacionalização, decorrente de um novo sistema de técnicas (presidido pelas técnicas da informação, que une as demais e assegura-lhe uma presença planetária) e de um mercado global [04]. O processo de globalização causou a expansão dos fluxos financeiros internacionais e a transnacionalização das economias internas dos países, reduzindo ou suprimindo as fronteiras geográficas. Se a globalização acarretou em uma maior aproximação e velocidade nas relações mundiais, também ocasionou a internacionalização dos problemas [05], que, por sua vez, causou a transferência de questões políticas internas de cada país para serem enfrentadas por organizações internacionais (ONU, OMC, União Europeia, MERCOSUL, OTAN, OEA, etc.). Acredita-se que, por meio da união em organismos externos e da cooperação, os Estados possam resolver mais facilmente problemas que, isoladamente, não conseguiriam administrar.

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